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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Por que especialistas acreditam que avião com Chapecoense caiu por falta de combustível.


Destroços do avião da Chapecoense



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Autonomia similar à distância do percurso, turbinas intactas e ausência de fogo reforçam hipótese de "pane seca"

Os acidentes aéreos geralmente são causados por uma combinação de fatores, 
costumam apontar especialistas.
Mas no caso do avião da companhia boliviana Lamia com a equipe da Chapecoense, que caiu na madrugada de terça-feira, as opiniões parecem convergir para a falta de combustível.
Na noite de quarta-feira, o secretário de segurança aérea da Colômbia, Fredy Bonilla, afirmou em entrevista que a aeronave não tinha combustível no momento em que colidiu com uma montanha.
Ele disse que a tripulação havia informado momentos antes o controle de voo de que tinha pouco combustível. Por isso, uma linha de investigação das autoridades locais é que tenha ocorrido a chamada pane seca.
Outra hipótese levantada é pane elétrica. Mas uma não necessariamente exclui a outra.
A BBC Brasil ouviu especialistas que explicam por que a falta de combustível é a causa mais provável do acidente.
Eles lembram, no entanto, que é importante esperar pela análise das caixas-pretas e aguardar a conclusão das investigações para se chegar a certezas.

1) Autonomia

A autonomia do quadrimotor Avro RJ-85 era de cerca de 3 mil quilômetros, praticamente a mesma distância entre as cidades de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, de onde partiu, a Medellín, na Colômbia, seu destino final.
No plano de voo, estava prevista a possibilidade de o avião parar para reabastecer em Cobija (norte da Bolívia) ou Bogotá (Colômbia).
Mas o piloto decidiu seguir a rota sem interrupções.
Bonilla afirmou que o avião não tinha combustível reserva para voar por mais tempo ou chegar a outro aeroporto.
"Autoridades de aviação nunca autorizariam um voo de uma aeronave cujo autonomia é equivalente à distância percorrida. Ou o avião passou por modificações, com a instalação de tanques de combustível adicionais, ou o piloto não quis fazer a escala por algum motivo, meteorológico ou técnico", diz Lito Sousa, supervisor de manutenção de aeronaves e editor do site e canal de vídeos Aviões e Músicas, dedicado à aviação.
Além disso, imagens do site de rastreamento de voos FlightRadar24 mostram que o quadrimotor deu duas órbitas no ar antes de começar a reduzir a altitude e cair próximo à região de Rio Negro, na Colômbia.
As voltas seriam um indicativo de que o piloto iniciava uma preparação para o pouso, ou aguardava autorização do aeroporto para a aterrissagem. Ele também poderia ter recorrido à manobra para pensar no que fazer diante da situação.
Mas, segundo um piloto não identificado da companhia Avianca, que relatou à imprensa colombiana ter ouvido o diálogo entre a torre de controle do aeroporto de Medellín e a tripulação do voo da Chapecoense, houve um pedido de prioridade de pouso no aeroporto por "problemas de combustível".
A permissão, contudo, teria sido negada por causa de um voo da VivaColombia, que também passava por uma emergência.
Foi a partir daí que a tripulação do Lamia teria relatado uma "pane elétrica" e decretado situação de emergência.
As informações sobre a prioridade dada ao avião da VivaColombia foram confirmadas por autoridades colombianas.
Destroços do avião da Chapecoense



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Não houve explosão após colisão com o solo

Protocolos de aviação civil determinam que aviões devem ter combustível suficiente para concluir sua rota.
"Trata-se de um avião de excelente qualidade, mas com uma autonomia de cerca de 3 mil km, muito similar à da rota. Não faz sentido ele não ter pousado para reabastecer", avalia Jorge Eduardo Leal Medeiros, engenheiro aeronáutico e professor Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo).
"Provavelmente, para cortar custos, ele decidiu seguir o trajeto sem escalas", acrescenta.
Segundo Leal Medeiros, se o pouso tivesse sido permitido, o piloto teria conseguido aterrissar a aeronave.
"Consta que o piloto deu duas voltas ─ provavelmente para aguardar a aterrissagem. Fazendo um cálculo superficial, isso equivaleria a 8 minutos ou 20 milhas náuticas (37 km), o suficiente para que ele chegasse ao destino final", afirma.

2) Turbinas intactas

Fotos do local do acidente, em uma área montanhosa a cerca de 50 km de Medellín, mostram as turbinas do avião praticamente intactas.
Segundo especialistas, isso seria um indicativo de que o motor não estava funcionando antes de o avião se chocar com o solo.
"As palhetas do fan (ventoinha do motor) estão praticamente intactas, o que sugere que as turbinas não estavam funcionando no momento no impacto", opina Sousa.

3) Sem fogo ou corpos carbonizados

Outro indicativo que dá maior força à versão de pane seca é a ausência de fogo ou corpos carbonizados.
"Se o avião ainda estivesse com combustível, a chance de explosão seria maior", diz Leal Medeiros.
Sousa também contesta a teoria de que o piloto teria jogado combustível fora diante da situação de emergência.
Isso porque, segundo ele, esse sistema não existe nesse modelo. Além disso, a hipótese "não faz sentido".
"Uma aeronave só dispensa combustível em uma condição: quando seu peso for maior do que o peso máximo de pouso e se as condições de emergência permitirem", explica.
"Acontece que dispensar combustível leva tempo, dependendo do avião até 30 minutos, então se o retorno tiver que ser imediato, o piloto não vai perder tempo alijando, vai efetuar o pouso com o avião acima do peso máximo", acrescenta.
"Se o avião acidentado estava já no final de sua viagem, estava com o mínimo de combustível e bem leve, portanto desnecessário qualquer alijamento. Além disso, como o peso máximo de decolagem e o peso máximo de pouso do Avro RJ85 são próximos, ele nem possui sistema de alijamento de combustível", conclui.
Os especialistas ouvidos pela BBC Brasil também afirmam ser raro casos de acidentes aéreos causados por falta de combustível.
Um dos mais conhecidos deles aconteceu em outubro de 1990 com um avião da Avianca, que seguia de Bogotá, na Colômbia, para Nova York, nos Estados Unidos, com escala em Medellín.
A aeronave ficou sem combustível devido a uma série de atrasos, provocados por condições meteorológicas adversas e ruídos de comunicação entre a cabine e a torre de controle.

Acidente


Na madrugada de terça-feira, o avião com a equipe da Chapecoense caiu a 50 km da cidade colombiana de Medellín. Ali o time jogaria a primeira partida da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional.
Das 77 pessoas a bordo, 71 morreram e outras seis sobreviveram.

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Economia brasileira já começa a dar sinais de recuperação, diz ministro.


Confiança

Dyogo Oliveira afirmou que essa melhora foi observada na elaboração do orçamento de 2017, que prevê o crescimento de 1,6% no PIB
Publicado14/09/2016 12h10Última modificação14/09/2016 13h47
Divulgação/PlanejamentoMinistro do Planejamento defendeu mudanças na alocação dos recursos orçamentários para reduzir desequilíbrio
Ministro do Planejamento defendeu mudanças na alocação dos recursos orçamentários para reduzir desequilíbrio
A expectativa de queda de inflação e do Risco Brasil, aliadas à retomada da confiança de empresários e consumidores, são sinais de que a economia brasileira começa a se recuperar, disse o ministro interino do Planejamento, Dyogo Oliveira, nesta terça-feira (13), durante audiência pública na Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso Nacional, para discutir o Projeto de Lei Orçamentária de 2017 (Ploa).
Segundo o ministro, essa melhora foi observada na elaboração do orçamento de 2017, que prevê o crescimento de 1,6% no Produto Interno Bruto (PIB), alcançando R$ 6,8 trilhões contra uma queda de 3% em 2016, somando R$ 6,2 trilhões. “Temos uma situação fiscal apertada, mas a economia já começa a dar sinais de recuperação”, afirmou o ministro.
A expectativa prevista no Projeto de Lei Orçamentária de 2017 (Ploa) é que o resultado primário do governo central irá registrar déficits de R$ 139 bilhões e de R$ 79 bilhões, em 2016 e 2017, respectivamente, e conseguirá se equilibrar em 2019. “Isso mostra que temos a necessidade de um ajuste fiscal gradual e contínuo para equilibrar o orçamento federal”, disse Dyogo.
Para 2017, o limite para despesa é de R$ 1,281 trilhão ou 19,3% do PIB. A despesa do governo federal tem crescido desde 1997 e passou de 14% do PIB para 19,9% do PIB em 2016. “Isso demonstra a necessidade de se fazer uma contenção da evolução das despesas. Não podemos ter, nos próximos vinte anos, a mesma trajetória dos mesmos últimos vinte anos, sob pena de colocarmos o País em um sério risco fiscal”, explicou o ministro.
Gastos públicos
Nesse sentido, o governo está fazendo um enorme esforço para conter os gastos públicos por meio de ações gerenciais e administrativas. Com isso, as despesas discricionárias sairão de R$ 252,2 bilhões, previstos em 2016, para R$ 249,3 bilhões, em 2017.
Dyogo defendeu ainda mudanças na alocação dos recursos orçamentários para reduzir desequilíbrios. “Hoje 60% dos recursos do orçamento anual são destinados a pagamento de aposentadorias e benefícios, e apenas 3% vão para investimento”, exemplificou.
Outra preocupação do governo é com a evolução da dívida pública. A projeção é de que a dívida bruta cresça de 66,5% do PIB em 2015 para 75,8% ao final de 2017. “Essas projeções mostram a urgência, a importância de ter durante a discussão do Orçamento, com bastante parcimônia e clareza, de que a situação fiscal do País demanda cuidados. A situação do País demanda a adoção de medidas enérgicas para voltarmos a ter uma trajetória de resultados e de dívida que tragam confiança aos investidores e às pessoas”, recomendou o ministro.
O ministro acrescentou que não há previsão de aumento de impostos ou de contribuições no PLOA 2017, e que a elevação da carga tributária prevista no projeto advém da expectativa de crescimento econômico.
Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério do Planejamento
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sábado, 6 de agosto de 2016

"Comissão autoriza criação de ZPE na região do Porto do Açu, no Rio de Janeiro"

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Audiência pública sobre o estado atual da demanda por Revalidação de Diplomas de Medicina. Dep. Alan Rick (PRB-AC)

















A Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia da Câmara dos Deputados aprovou a criação de Zona de Processamento de Exportação (ZPE) no Porto do Açu no município de São João da Barra (RJ). É o que prevê o Projeto de Lei 3978/15, do deputado Júlio Lopes (PP-RJ).

Alan Rick: essa ZPE tem a grande vantagem de ser localizada onde é o Porto do Açu, considerado o maior investimento em infraestrutura portuária da América.

A Zona de Processamento de Exportação tem tratamento tributário diferenciado. As empresas nele localizadas podem ter direito à suspensão de impostos, liberdade cambial, procedimentos administrativos diferenciados, entre outras vantagens.
A proposta aprovada autoriza o Executivo a criar uma ZPE na região do Porto do Açu. A criação da zona especial, no entanto, só poderá ser feita por decreto do Executivo, que delimitará sua área.
Viabilidade
Além disso, a lei determina que o Conselho Nacional de Zonas de Processamento de Exportação analise previamente a viabilidade desta proposta de criação de ZPE, submetendo suas conclusões à Presidência da República.

Relator da proposta, o deputado Alan Rick (PRB-AC) destacou que a criação de uma ZPE junto ao porto poderá atrair investimentos, gerar empregos e aumentar a exportação brasileira, promovendo o desenvolvimento regional, bem como o crescimento econômico e o desenvolvimento social do País.
“Esta Zona de Processamento de Exportação teria a grande vantagem de ser localizada onde é o Porto do Açu, considerado o maior investimento em infraestrutura portuária da América”, enfatizou.
Tramitação
A proposta tramita em caráter conclusivo e ainda será analisada pelas comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Reportagem – Carol Siqueira
Edição – Newton Araújo